Retroexpectativa.
Quase 5 meses desde o último texto. Período de silêncio, mas de foco. E eis, finalmente, pra encerrar esse ano, uma análise dele. Nada demais, mas também nada de menos. Segue aqui meu olhar, meu sentir, meu viver em 2012.
2012 foi um ano de conserto. Muitos erros - muitos mesmo -, muitas decepções, tristezas. Mas também muitos acertos - correções, na maioria -, muita satisfação e muitos sorrisos. Na verdade, parando pra analisar, estes 365 dias podem se dividir em 3 partes - cada parte de 4 meses - que vou chamar de: abismo, montanha e oásis.
O ABISMO
Cais, às vezes, afundas em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera, e mal consegues voltar,
trazendo restos do que achaste pelas profunduras da tua existência.
Quando tudo e todos estão errados e apenas vocês está certo, algo dará errado. Dará pelo simples fato de você pensar estar certo, quando na verdade nunca houve alguém tão errado quando você. Tenta se convencer cegamente de que nada, e nem ninguém, o abalará. Até o momento em que tudo o que você tem é nada e sente que não tem ninguém. Agora é você e você mesmo para encarar facas jogadas e encravadas sem dó e sem pesar. Você não era tão importante e relevante assim para que fosse respeitado, poupado ou, até mesmo, servido de cuidado. Já era, negão! Não há uma palavra, um abraço, uma lágrima que resolva teu caso. Agora ficas por conta do tempo que é ouro, é sábio e rei. “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das suas consequências”, disse Pablo Neruda. Verdade. Fato. Agora morra em seu silêncio e em sua mágoa. Perca alguns sonhos e sinta o amargo gosto das más decisões! Mas perceba que, ainda assim, fosses protegido de males maiores. Agradeça. Sofra! Mas agradeça. Se arrependa, comece a passar bálsamo nas feridas e se levante. Não olhe pra trás. Perdoe, mas não olhe pra trás. Suje suas unhas, machuque seus pés, suas mãos, seu rosto e saia desse abismo. Tem uma caminhada e tanto pela frente, mas pelo menos tem uma estrada. A antiga estrada.
A MONTANHA
Numa batalha ou numa escalada de montanha, muitas vezes há uma manobra que exige muita coragem; mas é ela também que, no final, constitui o movimento mais seguro. Se você optar por outro curso de ação, ver-se-á horas depois num perigo muito maior. O caminho do covarde é também o caminho mais perigoso.
Você conseguiu, cara! Saístes daquele abismo escuro e sem vida! Que ótimo! Mas não há tempo para descansar. Não tem tempo pra se deitar num gramado e ficar olhando as nuvens. Não há tempo! Espere, aquilo lá longe é uma pessoa? É! Vai lá ver se ela também tá querendo subir a montanha. Pelo menos tem a estrada até chegar na trilha que sobe a montanha e leva pro outro lado; até lá dá de conversar e ver se ela se dispõe a subir contigo. Conseguiu? Ela vai subir também? Sério? Feito! Tenha paciência, parece que ela acabou de sair do abismo também. Deve estar cansada, assim como você. Ela parece bem machucada, assim como você. Ela está com fome e sede, assim como você. E olha, está com muita esperança, tanto quanto você! E olha, olha, olha. Se olhem, sorriam. Ó, chegou a trilha! Cara, siga conversando com ela durante a subida, a ajude e aconselhe. Você já andou por aqui e foi pro abismo porque quis. Podes ajudá-la. Podes te ajudar. Se olhem, sorriam, conversem, cantem, compartilhem, somem; se apaixonem. Se apaixonem! Mais foco, mais força, mais fé pra subir essa montanha. E chegou…no topo; tem toda a descida ainda. Toma cuidado pra não resvalar, não entrar em outra trilha; não acabar em outro abismo e, pra piorar, levá-la junto contigo. Cuidado. Cara, cui… a pedra. Ok, acontece, mas vamos lá, se levantem e tomem cuida…do pra não aconte… cara, olha por onde pisa! Falta pouco, poxas, tá quase no pé da montanha. Calma, devagar. Se segure nas raízes de árvores que têm ao longo da descida. Calma e pronto!
O OÁSIS
O deserto assusta, mas, mesmo nele, existem oásis verdejantes e propícios ao teu descanso e alimentação. A obra da criação não transcorre à revelia do seu mentor, tudo está onde devia estar: a sabedoria está à tua frente, ao teu lado e dentro de ti.
A travessia até aqui não foi fácil. Foi cansativa. As pernas doem. Estás queimado do Sol. Os joelhos esfolados dos tropeços e os olhos pesados por não fecharem. Mas precisas prosseguir. Precisas! Pegue na mão do seu amor e prossiga para o alvo. Cara, que calor! Quanta areia. Quanta sede e cansaço. E fome - sempre. Um banho seria realmente bom, bem como uma sombra. Mas vamos prosse… espera! O que é aquilo? Corram, corram! Um oásis no meio do nada? Tudo que se precisava. Descansem, comam, bebam, conversem sobre como foi até aqui. Prossigam. E tá calor de novo. Muita areia. Sede, cansaço e fome e… olha lá! De novo? Mais um oásis? Corre! Que lindo! Que brisa suave. Descansem, comam, bebam, conversem sobre como foi até aqui. Prossigam. Prossigam. Não vão morrer aqui no meio, por mais que esteja calor, tenha só areia, estejam com sede, cansados e com fome. Não mo… meu Deus! Vejam, parece ser mais um, mais um oásis! Estão em círculos? Como é possível? Bom, não importa. Corram! Descansem, comam, bebam, conversem sobre como foi até aqui e prossigam! E encontrem todos os outros oásis que há no meio deste deserto. Desfrutem de todos os oá…cabou. Acabou? Acabou! Olhem! Só há oásis em volta! Finalmente acabou. Mas, prossigam para o alvo. E vejam, suas feridas, não existem mais! Já cicatrizaram! Vocês estão novos, mais fortes e experientes. Vocês estão juntos! Então prossigam. Há coisas melhores adiante do que qualquer outra que vocês deixaram para trás. Está tudo novo. Tudo.
CONCLUSÃO
Pela primeira vez examinei a mim mesmo com o propósito seriamente prático. E ali encontrei o que me assustou: um bestiário de luxúrias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados. Somos criaturas divididas, correndo atrás de álcool, sexo e ambições; desprezando a alegria infinita que se nos oferece, como uma criança ignorante que prefere continuar fazendo seus bolinhos de areia numa favela, porque não consegue imaginar o que significa um convite para passar as férias na praia.
Os caminhos mais fáceis, nunca são os melhores. Vale mais passar por uma porta estreita, do que por um portão onde passam caminhões. O motivo do título deste post é exatamente uma lembrança do que foi o ano, passado, e expectativa para o que próximo que há de vir. Uma maior maturidade, um maior foco, uma força maior e uma fé grandiosa. E uma caminhada que não será feita sozinho, mas acompanhado de muitas pessoas e uma em especial. Há um caminho mais alto, saca? Há um amor MUITO mais profundo. Há um destino traçado que pode levar você. Cara, não poucas vezes esbarramos com o nosso destino pelos caminhos que escolhemos para fugir dele. Tudo tem um propósito. Há tempo para tudo! É necessário manter o amor, a fé e a esperança. Mas o maior desses, sempre será o amor. E nada pode mudar isso. Nem muitas águas podem afogá-lo. Ande na contramão do sistema. Na contramão do que ouve ser normal. Não existe nada digno em andar como todo mundo, numa maneira fácil, em uma descida íngreme. Viva intensamente, a eternidade a partir daqui. Viva por algo maior que você mesmo!
Que 2013 seja repleto de oportunidades de viver diferentemente do que a cultura diz ser o bom. Oportunidade de viver por algo maior que nós mesmos! Oportunidade de fugir do gradual e dos caminhos já feitos. Oportunidades de crescer, de mudar e de continuar, porque sem continuar, não existe crescimento. Que venha 2013! Adeus 2012, você perdeu!
A estrada mais segura para o inferno é aquela gradual – o declive suave, piso macio, sem curvas acentuadas, sem marcos de referência, sem sinalização. Eu pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho.
p.s.: e um MUITO obrigado à todos que estiveram comigo em todas as dificuldades, descrenças e mudanças. Amo vocês!
